\n'; document.write(barra); } } changePage();

Deleite-se
A diversidade de leites nas prateleiras é tão grande que fica até difícil escolher o que levar para casa. Tipos A, B e C, integral, desnatado ou semi, de vaca ou cabra, turbinados com vitaminas, ferro ou outras substâncias: o mercado ganhou mais variedade quando passou a ser dominado pelos longas vidas, que já são responsáveis por 73% das vendas do setor. Mas o que levar em conta na hora de escolher?
Qualquer leite pode ser bom, dizem os nutricionistas, desde que ingerido em quantidade suficiente para que o cálcio, sua principal contribuição ao organismo, cumpra seu papel (veja quadro). Usar a bebida como fonte de outros nutrientes, porém, é mais discutível.
"Leites enriquecidos com vitaminas, ferro ou cálcio só têm papel importante na dieta de crianças, adolescentes ou adultos com algum tipo de deficiência. Do contrário, são desnecessários", afirma a nutricionista Isa de Pádua Cintra, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
Se a criança não come, principalmente por volta dos dois e três anos, quando há uma queda normal no apetite, não permita que ela troque a refeição salgada por leite. "Isso pode levar a uma anemia. Leite, mesmo enriquecido, não pode ser usado como substituto de carne e feijão, fontes naturais de ferro. Pode até saciar, mas não está nutrindo", alerta a nutricionista Nicole Machado, do Instituto da Criança, do HC.
A nutricionista Cibele Crispim, da RG Nutri, é ainda mais cautelosa. "Não gosto de recomendar esse tipo de leite, porque o cálcio não interage bem com o ferro. Eles 'lutam' para ser absorvidos no mesmo momento e quem ganha essa guerra é o cálcio. A maior parte desse ferro acaba sendo eliminada com as fezes", diz.
Também não dá para apostar todas as fichas nos chamados leites funcionais, acrescido de substâncias que se propõem a reduzir os riscos de doenças ou alterar funções metabólicas do corpo humano, como os enriquecidos com ácidos graxos do tipo ômega 3 e 6.
"Não há como avaliar com certeza o benefício trazido por esses leites. Sabe-se que esses ácidos ajudam a reduzir o colesterol, mas não existe uma recomendação diária de ingestão desses componentes", diz Cibele Crispim.
"Ainda acho mais válido a ingestão dessas substâncias pelas fontes naturais", avalia Anita Sachs, nutricionista da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Outro fator que deve ser levado em conta é que esses leites costumam ser 33% mais caros do que os tradicionais.
Leites desnatados e semidesnatados, recomendados em dietas de redução calórica, mantêm as propriedades nutricionais, inclusive a quantidade de cálcio, mas perdem a vitamina D, fundamental na calcificação. Por isso, alguns ganham reforço do fabricante. Prefira.
Todo dia A necessidade de leite varia ao longo da vida (veja quadro acima), mas a preocupação em atingir as recomendações diárias deve ser maior durante a infância e a adolescência.
É nessa fase que se formam os depósitos de cálcio, metal essencial para o crescimento, a formação dos dentes, a manutenção e restauração óssea e a prevenção de doenças como raquitismo e osteoporose. Até o início da puberdade, o organismo consegue absorver 60% do cálcio ingerido. Nos adultos, a absorção cai para cerca de 25% e só aumenta em grávidas, nos seis últimos meses de gestação.
"Não adianta se preocupar com isso só na velhice, a prevenção deve acontecer desde a adolescência", diz o pediatra Mauro Fisberg, chefe do Centro de Atendimento e Apoio ao Adolescente da Unifesp. O problema, avalia o médico, é que os adolescentes são geralmente pouco predispostos ao consumo, porque encaram o leite como um alimento infantil.
A saída, válida também para os adultos pouco afeitos à bebida, é diversificar. Para fazer frente às necessidades diárias, bastam de três a cinco porções, que podem ser ingeridas na forma de iogurtes, coalhadas, queijos, achocolatados, bolos, biscoitos, arroz doce, canjica.
A variação, porém, tem limite. Leite de soja, apesar do nome, não é leite nem tem o mesmo valor nutricional. Pode funcionar como uma importante fonte de proteína (que na soja se equipara à quantidade fornecida pelo leite) e isoflavonas (nutriente com componentes parecidos com o hormônio feminino estrogênio), mas não de cálcio.
Já os que acreditam nas propriedades estéticas do leite devem saber que o efeito é efêmero. "Além de ser uma coisa antiga em relação ao que se tem hoje, banho de leite só serve para promover uma hidratação superficial por causa da gordura, ainda maior no leite de cabra, que forma uma película sobre a pele. Mas a sensação vai embora no próximo banho de chuveiro", diz a dermatologista Denise Steiner. Ou seja, melhor no estômago do que no rosto.
Mariliz Pereira Jorge
Fonte: Revista da Folha
22/09/02